4.8.07

Uso político, né?


Jornal Nacional, 03 de agosto de 2007. O assunto mais uma vez era o acidente com o avião da TAM, em Congonhas, São Paulo. Mas uma coisa estava diferente dos outros zilhões de reportagens sobre o caso exibidas pela Globo.
O jornal fazia questão de dizer que o conteúdo das caixas-pretas não deveria ser divulgado para que não se fizesse uso político dele. Primeiro, o conteúdo já foi divulgado aos quatro ventos, inclusive pelo próprio JN. E segundo, desde que a primeira imagem do acidente foi gerada, o que se tem feito é uso político do caso.
Todos os jornalistas que eu vi cobrindo o acidente se referiram, logo no início, ao fato de a pista do aeroporto estar molhada como a causa do acidente. "Descaso do governo", era a mensagem. Ninguém tinha certeza de nada, mas ninguém se preocupou com isso. Investigaram, descobriram, julgaram e condenaram em poucas horas ou minutos.
Que fosse culpa do presidente, mas não se pode afirmar categoricamente se isso não for verdade. Não quero defender Lula ou qualquer um que trabalhe com ele. Quero defender a responsabilidade na informação. Quem está sendo visto, ouvido e lido por milhões de pessoas pode simplesmente falar o que acha? Não. Mas a questão é mais embaixo: o interesse que as grandes empresas de comunicação têm no caso. Ou você acha que a identificação do problema com o governo foi mera coincidência?
Nesse ponto eu entendo o cara dos gestos "obcenos". Ponha-se no lugar dele. Um problema grave, de nível nacional, está sendo creditado a você. Você está com a corda no pescoço e de repente descobre que foi precipitação dos que te acusaram e o culpado pode ser outra coisa. O que você faz? Eu faria a mesma coisa. E não seria desrespeito com as famílias. Aliás, outro problema do Brasil é querer procurar culpados em vez de soluções. Que adianta saber quem errou? Adianta saber como não acontecer de novo.
O fato é que divulgaram o conteúdo das caixas-pretas e nada indica que a primeira suposição estava correta. Agora, na hora que o governo podia usar essas informações para dizer que a mídia foi precipitada, eles se apressam em dizer que não se deve fazer uso político das benditas caixas. Foi ridículo. Minha frustração é saber que nem todo mundo tem capacidade crítica para se posicionar, concordando racionalmente ou discordando da mesma forma, em relação ao que vê na TV. Por isso, mais uma vez: responsabilidade na comunicação, pelo amor de Deus!

Ps.: Pensei em colocar a famosa imagem da cauda do avião da TAM para ilustrar este post, mas penso o quanto deve ser difícil, para a família e para os amigos de quem estava no vôo, ficar vendo aquela imagem o tempo todo, em todo lugar. Sensacionalismo também é ridículo e desrespeitoso.

Um comentário:

... disse...

Tudo precipitado. Nesses tempos, teve uma hora que eu parei de ler, ouvir ou qualquer noticia sobre o caso. Pode ser uma atitude inaceitável para uma jornalista, mas eu não estava aguentando mais, nem as noticias sobre a tragédia e sofrimento e etc e nem o posicionamento iô-iô da imprensa. Estava me deprimindo, de verdade, e quando me peguei pensando a tarde toda no caso e remoendo na minha cabeça cada imagem, cada informação, cada frase de familiares e cada acusação, dei um basta. Não tenho estomãgo para tragédias, principalmente aquelas que correspondem à ética jornalistica.

Saudade de tu Shil!
Depois a gebnte troica figurinhas sobre blogs, minha assessora preferida!

Bjos!