4.2.09

Puff!!

Eu só ouvi o ruído seco de algo caindo no chão - Puff!! Estava procurando uma calça preta na loja, não tinha encontrado nada que me agradasse. Peço uma bermuda, a vendedora me traz um shortinho piriguete salpicado de pedrinhas.

No meio desse "esse não, prova aquele, tem quer ser preta, pode ser jeans", escutei o "Puff!!" Antes que eu virasse pra olhar a vendedora magrinha diz: "Estão brigando!"

Quando eu vi aquelas duas mulheres com cara de recepcionistas de clínica de saúde se embolando no chão, exatamente na frente da porta da loja, não acreditei. Em plena sexta-feira à tarde, um Sol de rachar e a rua lotada de gente. Pra quem conhece Conquista, foi naquela alameda, quase em frente ao Spaço Xis.

- Eu vou te matar, sua vagabunda!
- Eu é que vou te matar, sua cachorra!
- Eu peguei você na cama com meu marido! Na minha cama, vagabunda!
- Me respeita, cachorra! Eu vou matar você!

Isso aos berros, o povo gritando em volta, e os meninos que vendem empréstimo para o Itaú, tentando separar.

A vagabunda em questão foi quem caiu no chão. Quando olhei, a cachorra já tinha enrolado metade do cabelo da outra na mão direita e balançava com força. Em desvantagem, a vagabunda só conseguiu agarrar a blusinha de malha da rival.

- Vai rasgar, vai rasgar! - Tadinho do carinha do Itaú.

A mão da vagabunda já estava dentro da blusa da cachorra e saiu de lá de posse do sutiã rosa dela. Eu nunca tinha visto um sutiã esticar tanto! Acho que mais de meio metro pra fora da blusa e ele lá, fechado, sem arrebentar. Devia ter perguntado de que marca era... Pelo menos o menino do Itaú deve ter visto peitinhos tipo recepcionista de clínica.

Enfim, separaram as gladiadoras e elas começaram a catar seus pertences pela rua, uma sandália aqui, um bolsa ali. E seguiu cada uma pro seu lado.

Imagino que caminhavam ainda mal-dizendo uma à outra, com a cara vermelha e o corpo todo pulsando de raiva. Cada uma deve ter achado que deveria ter batido um pouco mais. Mais um chute talvez. "Da próxima vez ela vai ver, vai ver..."

Imagino também que o gostosão da história nem estava por perto. Deveria, sim, estar com outra recepcionista de clínica. E na cama de alguém.

Infelizmente não achei a calça que queria. Na loja da frente, a blusinha foi 29 dinheiros - e é lindinha. O povo de lá também ficou no camarote obrigatório dessa cena triste. E, da mesma forma que eu, também ficou com vergonha por elas. Mas ainda tinha gente na rua, relembrando os golpes e dando risada.

Minha moral da história: É mais fácil eu pegar uma mulher, do que me pegar com ela.

4 comentários:

Paulo Bono disse...

muito divertido!
adoro as putinhas de clínicas.

abraço

Michele do carmo disse...

Foi triste, mas lendo é engraçado. Passo pelo centro todos os dias e não nada disso...que droga!!!

Conclusão: é mais fácil ver os peitos da decepcionista do que achar a calça!

Saudade de vc!

Pagu disse...

Adorei! Que saudade de Conquista! E que texto leve e legal... Beijos

Tijolo disse...

hahahahahaha

E assim a briga começou... MESMO!